Uma salva de palmas para nós mulheres

Mulheres Maravilhas, Mulheres Reais!

 

É tão natural a mulher acreditar que existe apenas para cuidar dos outros, que elas aceitam a exclusão e diferença social sem questionar.

 

Um dia desses, conversando com uma cliente, ela relatou que se sentiu abraçada e reconhecida em sua aula de Zumba. Aula esta, que é realizada todas as segundas-feiras e quinta das 21h ás 22h, um horário em que a maioria das mulheres consegue estar disponível após um dia repleto de compromissos.

No final daquele treino puxado, a professora disse: – Meninas… Uma salva de palmas para nós, porque nós merecemos!

Esta frase mexeu profundamente com ela. Depois de um dia de “cão”, ela sabia que merecia ser aplaudida.  Para ela, não se tratava apenas de ter se saído bem no treino, mas porque ela era uma mulher que “dava conta do recado” em todas as áreas de sua vida e na maioria das vezes, no anonimato.

Embora muitas de nós, sequer sejamos reconhecidas por nosso desempenho, compromisso e eficiência, ainda assim, somente nós temos a habilidade de fazer todas essas coisas, sendo multitarefas, com excelência e suporte.

Somos o que Salomão, o Rei mais sábio que já existiu chamou de mulher virtuosa, o que Zé Neto e Juliano cantou, a mulher maravilha e a canção que Zeca Pagodinho compôs: aquilo que era mulher!

 

Eu sei que nem tudo são flores.

Às vezes somos chamadas de histéricas, autoritárias e viramos alvo de piadinhas como: ela está de TPM. Somos chamadas de loucas, exageradas, e até de sistemáticas. Afinal, que nunca chegou ao final do dia com a sensação de que ia explodir, brigou com “Deus e o mundo” por causa dos hormônios e chorou de soluçar por algo insignificante, atire a primeira pedra!

Que Ataulfo Alves, compositor da música “Ai que saudade da Amélia” me perdoe, mas Amélia não é a única mulher de verdade. E apesar de que Amélia não fosse mulher de vaidade, nós somos muito vaidosas, exigentes e queremos luxo, porque como disse Flora Mattos: o mundo é bem pequeno para as vontades que temos!

Mas como manter um Quociente Positivo em meio a tantos afazeres que exigem tanto de nós? Como manter o equilíbrio e colocar em prática a inteligência emocional diante de tantas cobranças culturais voltadas a mulher? Continue lendo para entender…

Muitas de nós (senão quase todas) já nos sentimos esgotadas antes mesmo de levantar da cama, pelo simples fato de nos lembrar de todas as tarefas que teremos que executar no decorrer do dia.

Precisamos preparar o café, estender as roupas, deixar as crianças na escola, ir ao médico, trabalhar, levar o carro na mecânica, ir à reunião da escola, passar no supermercado, ir ao banco, cuidar da casa, cozinhar o jantar, fazer o dever de casa com os pequenos, e ainda ter tempo de qualidade com a família. Tantas atividades, que nos faz querer cobrir a cabeça com o cobertor e voltar a dormir.

Mas o pior é que quase sempre chegamos ao final do dia, sem ter a certeza de que o dever foi cumprido, devido às diversas tarefas que ainda ficou por fazer. Logo, as unhas das crianças serão cortadas amanhã, a resposta daquele e-mail e as roupas para dobrar ficarão para depois.

A vontade de gritar vem em vários momentos, com um familiar que nos cobra de algo ou até mesmo porque alguém nos fechou no trânsito bem na hora que estamos atrasadas para ir buscar nossos filhos.

Sabe aquela mulher que se multiplica? Sim, somos nós. Por isso uma salva de palma para nós mulheres.

Somo mulheres de verdade, mulheres reais e que às vezes até se parece a um super-herói. Podem nos chamar de mulher gato, mulher maravilha ou até de princesas, todavia somos fortes, e o sexo frágil deixa de existir. Aliás, quem nos definiu assim?

A dica desta semana para você mulher que é mãe, esposa e empreendedora ao mesmo tempo, uma Tica (linda) que busca por independência financeira, empoderamento e realização é: desempenhe seu papel sem esperar por reconhecimento.

 

A mulher do século XXI

Claudio Henrique, autor do livro “Macho do Século XXI: O Executivo que virou dona de casa” disse: Na época em que fui executivo, eu me achava o chefe mais bacana do mundo, que tratava todos os funcionários de forma igual. Só depois dessa experiência, de virar dona de casa enquanto minha esposa era a única que trabalhava, eu percebi que nunca promovi uma mulher. O motivo?

 Eu as achava pouco comprometidas. Sempre fui muito cobrado por resultados e, por isso, precisava fazer muita hora extra. Quando olhava em volta, todas as mulheres tinham sempre partido do escritório, enquanto os homens permaneciam lá. Para mim, elas tinham me deixado na mão. Não conseguia enxergar que elas tinham ido para casa para cuidar do filho, preparar jantar, tarefas que culturalmente são impostas a elas. Quando me dei conta, minhas perspectivas viraram do avesso.

Realmente, entender a jornada dupla da mulher é para deixar qualquer um intrigado, tanto que a Organização Feminista SOS Corpo juntamente com o Data Popular, realizou uma pesquisa em que 75% da população feminina enfrentam uma rotina árdua.

De 800 mulheres, 98% delas disseram que além de trabalhar fora, ainda precisam se dedicar a casa e encontrar suporte emocional para lidar com os problemas dos integrantes da família. Das mulheres entrevistadas, 71% não contam com nenhum auxilio masculino.

Eu sei, ainda existe muita desigualdade, incompreensão e desvantagens quanto a nossa carreira e nossos direitos. Entretanto, a mulher moderna já adquiriu grande liberdade de escolha e hoje pode optar por exercer um ou mais papéis na sociedade, logo não podemos interromper essa luta que começou séculos atrás.

Hoje, o nosso maior obstáculo é encontrar tempo para nós mesmos, tempo para cuidar de nós e recarregar as energias.  Tanto que 68% das entrevistadas reclamaram de não conseguir dedicar tempo a sós a elas mesmas. Parece familiar?

O coordenador da pesquisa acima, Renato Meirelles disse: é tão habitual a mulher acreditar que existe apenas para cuidar dos outros, que 59% delas aceitam a exclusão e diferença social sem questionar. Além disso, 46% das entrevistadas alegam não ter tempo suficiente para ficar com a família e filhos, 42% para se divertir e 32% para apenas dormir e descansar.

Por fim, percebemos que ainda existe muita desigualdade de salários entre homens e mulheres, e segundo Meirelles, para mulher ser bem-sucedida ela precisa abrir mão da maternidade e das outras atividades que ela queira desenvolve para se sentir plena.

O fato é que talvez, ninguém reconheça a nossa jornada exigente. Mas não é por isso que devemos nos frustrar nos esconder ou deixar de executar aquilo que fazemos de melhor

E como diria Caio Fernando Abreu, poeta, escrito e leitor das mentes e sentimentos humanos: eu sei que o barco está furado, mas não pare de remar. Porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.

 Não podemos nos esquecer de todas as mulheres que já lutaram por igualdade pagando um alto preço no passado, e não devemos ignorar que nós somos as revolucionarias desta geração, existem pessoas se espelhando em nós. Talvez muitos sutiãs ainda precisem ser queimados em praça pública para que possamos nos sentir ao menos mulheres.

E possivelmente, seremos as próximas responsáveis pela mudança desse cenário desigual. Por isso, continue nessa tua força, ainda que não tenhamos o reconhecimento merecido.

Para finalizar o artigo desta semana, gostaria de deixar algumas dicas para você, mulher, mãe e empreendedora ou profissional driblar os percalços da jornada dupla. Acompanhe:

(1)  Fique a só consigo mesma.

Ficar sozinha nos ajuda a obter novas perspectivas sobre qualquer situação adversa. Permite-nos olhar os problemas de ângulos diferentes e encontrar diversas soluções. Talvez o tempo seja escasso, mas se queremos encontrar o equilíbrio emocional para lidar com a nossa agenda inflexível precisamos ter um momento para nós.

Que tal aproveitar seu tempo a sós numa caminhada, fazendo exercícios físicos ou meditando? Além de liberar o hormônio da felicidade, você poderá refletir a sua vida.

(2)  Elimine coisas circunstâncias ou desimportantes

Crie uma lista de sua rotina. Talvez essa dica pareça clichê, mas acredite, funciona.  Separe tudo aquilo que não for urgente ou importante e elimine a perda de tempo em situações irrelevantes.

Agindo assim você encontrará mais tempo para cuidar se si, seja para ir ao salão de beleza, visitar uma amiga ou dormir um pouco mais, afinal não somos de ferro.

(3)  Você é a personagem mais importante

Se você não estiver bem todo o restante também não ficará. Portanto cuide de si mesmo, e cuidar de si pode ser em pequenos detalhes. Vamos banir a crença limitante de que existimos apenas para cuidar dos outros?

Nós somos únicas e sem igual. Temos vontades, desejos e metas, logo nós somos as pessoas mais importantes, desta forma, coloque-se em primeiro lugar em sua lista de prioridades.

E lembre-se: Mulher é mesmo interessante, mesmo brava é linda, mesmo alegre, chora, mesmo tímida, comemora, mesmo apaixonada, ignora, mesmo frágil é poderosa! (Desconhecido).

Você é muito mais valiosa que os rubis! (Provérbios 31:10).

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No artigo anterior eu contei como comecei a ensinar novos empreendedores a cobrar do jeito certo os serviços, um curso que ofereço para inúmeras pessoas.

Se você ainda não leu o artigo 2 desta série, clique aqui e leia agora mesmo.

 

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