Mulheres heroínas, maravilhas, ou o que você quiser ser,… Que tipo de mulher você é?

E quem nunca ouviu a famosa música da cantora Beyoncé – Independent women? Aquela que afronta descaradamente a canção de Chico Buarque – Mulheres de Atenas?

Eu compro meus próprios diamantes e compro meus próprios anéis…

Tenta me controlar, garoto e você está demitido!

Pago minha própria diversão, oh e pago minhas próprias contas.

Sempre meio a meio em relacionamentos

Os sapatos no meu pé? Eu comprei!

As roupas que estou vestindo? Eu comprei!

Porque eu dependo de mim.

E se eu quiser o relógio que está usando? Eu comprarei!

A casa que moro? Eu comprei!

O carro que estou dirigindo? Eu comprei!

Eu dependo de mim! (Eu dependo de mim).

Todas as mulheres que são independentes – comemorem!

Todas que estão fazendo dinheiro. Comemorem!

Todas as mães que estão lucrando em dólar. Comemorem!

Lindas independentes…

Ninguém mais pode nos assustar!

Em contrapartida, Chico cantou muitos anos antes:

Mirem-se no exemplo, daquelas mulheres de Atenas

Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas

Elas não têm gosto ou vontade, nem defeito, nem qualidade

Têm medo apenas!

Não tem sonhos, só tem presságios…

O seu homem, mares, naufrágios, lindas sirenas, morenas.

 

Mirem-se no exemplo, daquelas mulheres de Atenas.

Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas.

As jovens viúvas marcadas, e as gestantes abandonadas…

Não fazem cenas!

Vestem-se de negro, se encolhem e se conformam e se recolhem

Às suas novenas, serenas.

Arrogantes, prepotentes ou submissas? O que é certo ou errado?

Obviamente que Chico, ao compor essa canção, se referia a outra cultura, num tempo distante do nosso, entretanto, o reflexo dessa mentalidade ainda recai sobre nós, as mulheres desta geração.

Ser mulher não é uma tarefa fácil não é mesmo? Só nós sabemos os ideais estereotipados e as responsabilidades que somos submetidas diariamente pela nossa sociedade que ainda é machista.

O peso da rotina a ser carregado, enquanto fazemos toda força do mundo para parecermos sempre perfeitas, felizes e realizadas, não se esquecendo de fazer com que as pessoas ao nosso redor se sintam de fato felizes e realizadas. Existem até aquelas, que ainda acreditam que existem apenas para servir os outros como vimos no artigo anterior.

Noutros locais, a circuncisão da mulher ainda “rola solta”, afinal para determinada cultura, somos apenas seres que não devem sentir qualquer tipo de prazer, satisfação ou vontade a não ser o de parir e servir. Realmente este mundo é um tanto desajustado.

Nos esforçamos tanto, que por vezes parecemos super heroínas. E quem mais poderia dar conta de tudo senão as mulheres independentes histéricas? E por favor, se chegar o final do dia é nós estivermos de mau humor, ao menos nos dê uma trégua.

Somos aquelas que fazem de tudo e ainda conseguem arranjar um tempinho para cuidar de quem amamos com perfeição.

O que seria do mundo sem as mulheres? De fato, um lugar disfuncional. Somos nós as grandes responsáveis pelo equilíbrio das atividades sejam elas profissionais, domésticas, sociais e econômicas no mundo.

Para melhor compreender o papel da mulher nos dias atuais, é necessário voltarmos no tempo para melhor abranger como se construiu a história da mulher no mundo.

Não é preciso ir muito longe, para observar que o papel da mulher se restringia as tarefas domésticas, o cuidar da casa, do marido e dos filhos, como bem descreveu Chico Buarque. Não possuíamos muitos direitos perante a sociedade, e sendo realista quase nenhum.

A mulher era vista como uma moeda de troca a ser mantida para gerar filhos e cuidar da casa. (Uso do termo moeda de troca porque era comum que os casamentos fossem arranjados pelas famílias das noivas em troca de algum beneficio maior com a família do noivo escolhido).

Olhando para o finalzinho da década de quarenta, a filósofa Simone de Beauvoir lança uma das maiores obras que dialoga com a história da mulher e o seu destino de vida.

A obra de dois volumes, denominado “O Segundo Sexo”, traz uma importante reflexão acerca do que é de fato ser mulher.

Será que somos estes seres fortes com grande capacidade de equilibrarmos as tarefas do nosso dia a dia, ou será que na história do mundo seremos aquelas que por estatística mundial ganham salários inferiores aos nossos parceiros simplesmente por sermos mulheres?

Com a famosa frase “Não se nasce mulher, torna-se mulher.” Simone compreendia que a mulher, além de si mesma, era fruto da sociedade em que convivia e dos papéis que esta a impunha. Mas o que isto significa? Significa que muitos dos papéis que exercemos durante a nossa vida são colocados, e até de certa forma, exigidos a nós justamente por possuirmos uma característica em comum, a de sermos mulheres.

Mas também podemos tirar algo bom desta frase “não se nasce mulher torna-se mulher”. Ela também pode significar dizer que nós nascemos de forma em que somos determinadas mulheres. Isto é, aprendemos durante a vida o que é ser mulher e a força necessária para resistir enquanto ser humano.

Com isso, podemos escolher ser a melhor versão de nós mesmas que desejamos ser, seja no estilo Beyoncé ou Chico Buarque. Hoje em dia, podemos facilmente encontrar inúmeras personagens mulheres que retratam a fortaleza necessária para ser uma mulher moderna, aquelas que às vezes são mais homem que muitos homens (sem ofensas).

Personagens femininas fortes e complexas podem ter tomado fama nos contos de Virginia Woolf, mas também foram trazidos a público pela representação da Mulher Maravilha ( uma personagem que gosto de utilizar) da DC Comics, a Super Girl e a Feiticeira Escarlate da Marvel que realmente era uma mulher incrível e dona de casa ao mesmo tempo, a advogada Annalise Keating da série How To Get Away With a Murderer. Diferentes perfis que provam o quanto somos capazes de ser o que queremos com autenticidade.

O fato de acompanharmos numa série, ou num filme destas personagens faz com que mais mulheres se identifiquem com seus dramas e vitórias. Além de nos motivar a encontrar a força necessária para superarmos as adversidades.

A mulher maravilha da história em quadrinhos, primeira heroína da DC Comics, foi criada a partir da ideia do Dr. William Moulton Marston, psicólogo, que pensava em um novo tipo de super-herói, que triunfaria não com punhos ou poderes, mas com amor, carinho e afeto.

Logo, esta super herói somos você e eu!

A mulher maravilha, também era uma mulher real, aliás, ela tinha duas carreiras, enfermeira e super heroína e também vivia o dilema de ter um relacionamento complexo. Alguém se identifica?

Nós mesmas precisamos nos equilibrar em relação aos nossos superpoderes, super tarefas e driblar as emoções. E há ainda, uma grande audácia de alguns doutores (especialistas) em querer nos ensinar como conquistar o amor dos sonhos. A internet traz vários “ especialistas no assunto”, o que é assustador,…

Traga o seu amor em sete dias (??), ou desafio do Whats App cinco maneiras de fazer seu ex voltar utilizando ferramentas digitais, (socorro???)

Isso é uma infâmia contra nós, e que Beyoncé não nos ouça!

Em entrevista, perguntaram para a pop star Rihanna: – O que você procura no próximo homem? Ela respondeu:

– Desculpe o que você disse?

– O que você procura no próximo homem?

– Eu não estou procurando um homem. Vamos começar por aí!

Basta!

Seria legal que nos respeitassem mais não é mesmo querida leitora?

E você já pensou em quais são os seus superpoderes no meio disso tudo?

Eles podem ser muitos e diversos como ser mãe; ser a chefe no trabalho; ser uma renomada escritora ou cientista, ser pai e mãe ao mesmo tempo, ser a mantenedora do lar, independente ou Amélia, entre outros milhares de campos que a mulher se desdobra com eficiência para ocupar.

Por muitas vezes, nós mulheres ocupamos vários destes cargos ao mesmo tempo. Minha própria experiência como mãe, mulher e empresária e também com minhas clientes de Coaching Executivo, me levou a pensar sobre estas questões de empoderamento feminino, glamour e o que são as mulheres reais.

Uma mulher maravilha real é aquela que possui a noção dos benefícios e dificuldades em ser mulher, mas que também não deixa que as situações a derrubem, não deixa “a peteca cair” e nem mesmo qualquer um dita o que ela é. São mulheres marcantes que despertam olhares e suspiros por onde passam.

Somos de fato forças da natureza por conseguirmos fazer todas essas coisas e ainda arranjarmos um tempinho para nos sentirmos bem com nós mesmas. O que seria do mundo sem nós mulheres? Diga-me se for capaz.

Quanto a ser independente ou mais parecida com as mulheres de Atenas, cabe a você decidir, desde que isso não seja imposto a você, mas uma decisão sua. Seja o que quiser, quando quiser e onde quiser. O importante é que mudemos a nossa mentalidade, a fim de sermos as mulheres que trazem orgulho a nós mesmas, seja como dona de casa ou como uma empreendedora de sucesso. Tanto faz! Seja maravilha, seja heroína, seja quem você quiser!

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