Eu não sou seu guru!

Demita seu coach.  Se você for convencido pelas ideias de Svend Brinkmann, professor e filósofo na Universidade de Aalborg, na Dinamarca, é isso que você deve fazer. Autor do livro “Stand Firm: Resisting the Self-Improvement Craze” (em tradução livre, “Fique firme: Resistindo à mania do autodesenvolvimento”), ele é crítico ferrenho da psicologia positiva e da crença de que a felicidade é uma escolha. Esta matéria foi publicada na Revista Exame no dia 30 de maio de 2017.

Em parte, concordo com Dr Svend Brinkmann. A quantidade de profissionais que passaram a ser gurus de tudo me incomoda profundamente.

Hoje todos são gurus! E gurus de absolutamente tudo!
São gurus financeiros, gurus de positividade, gurus de gratidão, gurus da autoajuda!!!  “Vamos todos passar pela brasa quente e gritar “UHUHUHUHHH” que tudo vai dar certo e vai mudar!
Entretanto, surpresa!!!!  Após o frenesi inicial da motivação extrema, os problemas voltam!
E o que leva os problemas a voltarem?
Talvez falta de empenho, talvez falta de disciplina, talvez falta de atitude!
Muitas vezes as pessoas estão suscetíveis emocionalmente, seja porque perderam o emprego, ou porque enfrentam um divórcio, ou não estão felizes em seu trabalho ou ainda não encontram-se satisfeitos com os resultados do seu negócio,  e então deixam-se levar por esta “ mágica solução motivacional frenética momentânea”. Ou pior: pagam verdadeiras fortunas por estas overdoses motivacionais!

Este processo de gurulização de tudo deturpa e leva a vulgarização de uma ferramenta tão eficaz na transição de carreiras, nos treinamentos de equipes e na gestão de pessoas como o Coaching.

Estamos falando aqui do método, do Coaching do Tim Gallwey, John Whitmore e  Myles Downey, e é inegável a contribuição do coaching na relação  direta entre decisões do cotidiano e resultados de longo prazo sobre a sua carreira, sobre seus negócios, ou sobre  sua vida com indicadores práticos e mensuráveis.

É inegável que se o nosso trabalho não tiver um propósito, isto nos causará frustação.
É inegável que precisamos ser felizes, e entender o que nos faz feliz é fundamental.
Entretanto, todavia, contudo, desculpe-me o exagero gramatical, precisamos resistir à gurulização e a mania da autoajuda como uma alternativa à sobrevivência.

O verdadeiro processo de coaching não tem nichos, não tem segmentos. Nenhum coach é um guru. O próprio Tony Robbins, famoso por seus workshops motivacionais, tem um seriado no NETFLIX, com o título “ Eu não sou seu guru”.

Coaches éticos e comprometidos com seus clientes entendem que Sucesso é decorrência de Empenho, Disciplina e Atitude, e que não existem fórmulas de sucesso massificadas, e sim a fórmula que cada um compõe e acredita ser o seu Sucesso!

Aliás, deixando absolutamente claro que o meu sucesso pode ser absolutamente diferente do seu!
Portanto, permita-me, Dr Svend Brinkmann, educadamente discordar da sua ideia  de demitir seu coach. Minha sugestão é: escolha com muito cuidado e critério o seu coach e tenha bons resultados!

Dra Luciene Scherer

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